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Feira de Gastronomia celebra os 200 Anos de Camilo em Vila do Conde

25ª Cozinha à Portuguesa – Feira de Gastronomia
22 a 31 agosto 2025
Jardins da Av. Júlio Graça
Vila do Conde
A 25ª edição da Cozinha à Portuguesa – Feira de Gastronomia dedica particular atenção a Camilo Castelo Branco, nos 200 anos do seu nascimento. O Restaurante Temático “À mesa com Camilo” celebra um dos maiores escritores portugueses, inspirando as suas ementas nas experiências gastronómicas relatadas ao longo da sua extensa obra literária.
“À Mesa com Camilo” resgata receitas dos almoços, jantares ou tertúlias do século XIX, inspirados nas pormenorizadas narrativas presentes na obra de Camilo Castelo Branco, servindo pratos típicos da época e relacionados com os seus romances, de que são exemplo: Pescada com molho de amêijoas, Truta frita, Atum em bifes à Algarvia, Bacalhau assado, Capão com arroz açafroado, Arroz de pato, Coxão de Carneiro, Carne de Porco com castanhas, Coelho de Caça ou Arroz de Cabidela. Não faltam as sobremesas, destacando-se Mexido de ovos, Pudim de laranja, Broas de Pão de Ló ou Pudim à Padre Paula.
O Restaurante Temático “À mesa com Camilo” apresenta a recriação de várias receitas incluídas no livro homónimo de Elzira Sá Queiroga, que assim resume a publicação: “De saúde frágil, o escritor confrontava-se com o desafio do prazer, do excesso e das suas consequências. A imaginação cultivava a descoberta da arte da cozinha e este livro, À mesa com Camilo, apresenta uma visita aos sabores da época, documentada com receitas que nos confirmam a dicotomia entre o meio rural e o citadino, quase sempre presente na extensa obra do escritor”.
Apesar da sua vida conturbada, cheia de amores e desamores, Camilo foi um dos primeiros escritores portugueses a viver exclusivamente do que escrevia, o que provavelmente explica a sua tão extensa e variada obra.
Camilo Castelo Branco registou, na sua obra literária, a evolução social e cultural da sociedade portuguesa, descrevendo a queda da aristocracia em contraciclo com a ascensão burguesa e registou, com pormenor e detalhe, os ambientes comensais de então.
O escritor assumiu, na sua obra literária, uma postura extremamente crítica e satírica em relação à evolução social da época em que viveu.
Nas suas obras, “encontramos os hábitos e as novidades que pautam o viver de fidalgos, burgueses, novos-ricos, de toda uma variada panóplia da sociedade. A comida e o estar à mesa são uma componente fundamental da vida, por isso o escritor não pode ficar-lhes indiferente e utiliza-as como recurso literário” (Elzira Queiroga, 2015).
Em 1862, publica Coração, Cabeça e Estômago, romance em que parodia as novas correntes literárias do Realismo e, especialmente, da sua variante, o Naturalismo, traçando uma crítica mordaz à sociedade da época, particularmente à sua manifesta obsessão pelo dinheiro e pela ascensão social.
No mesmo ano, o romance As Três Irmãs explora questões relevantes sobre o papel da mulher, o amor, a paixão e a hipocrisia social, com personagens femininas marcantes que lutam pelos seus desejos e questionam as normas estabelecidas. Ao contrário de outras das obras de Camilo, As Três Irmãs não possui um prato específico que se destaque como elemento central da narrativa, mas as refeições e jantares são pano de fundo para eventos sociais e familiares, palco de discussões e revelações, mostrando as tensões e rivalidades entre as irmãs.
Considerada uma das melhores obras de Camilo Castelo Branco, A Brasileira de Prazins, concluída em 1882, explora o drama do amor contrariado e do casamento forçado, com elementos realistas que refletem a sociedade da época, especialmente no contexto do Minho após as lutas liberais. Ao longo das suas páginas, o romance mostra um cardápio bem preparado e atento com produtos autóctones, representantes da região minhota.
Camilo escreve ao longo de muitas das suas obras sobre os bons pratos e os bons néctares da gastronomia portuguesa, de que é exemplo também Vinho do Porto – Processo de uma Bestialidade Inglesa. Publicado em 1884, o romance analisa – com grande mordacidade – o trabalho dos ingleses e em especial do Barão James Forrester, no qual o célebre naufrágio, em que o referido Barão perde a vida e D. Antónia sobrevive, é descrito com vivacidade, sobretudo no que se refere à lendária Gertrudes, ex-cozinheira de Camilo, a quem reconhece dotes culinários e afetivos, descrevendo em pormenor alguns pratos no saboroso estilo camiliano.
Restaurantes de várias regiões do País:
- Trás-os-Montes e Alto Douro – O Académico
- Douro Litoral – Casa Caetano
- Alentejo – Lampião
- Alto Tâmega e Barroso – Tentações da Montanha
- Madeira – Do Dia P’ra Noite
- Restaurante temático “À mesa com Camilo”
- Petisqueiras (Sopas / Peixe / Carnes / Pão Forno Lenha / Vegetariana)
- Bares e esplanadas
- 70 espaços de venda de produtos regionais
- Tabernas com cerveja artesanal e vinho a copo das várias regiões
- Livraria gastronómica
- Animação Diária
Entrada Gratuita
Horário
Sextas, Sábados e Domingos – das 15H00 às 24H00
Restantes dias – das 17H00 às 24H00
Os Restaurantes abrem à hora de almoço, das 12H00 às 14H30